Mostrando postagens com marcador jazz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jazz. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Há 50 anos, a música perdia Billie Holiday


Há 50 anos, a música perdia Billie Holiday
Por Claudio R S Pucci do Terra Música.

Billie Holiday é um marco na história da música. Sua voz triste e interpretações pungentes de grandes clássicos do blues e do jazz a transformaram num ícone e numa estrela de primeira grandeza. Mais do que simplesmente ter talento, ela parecia conseguir colocar toda a dor de sua difícil vida em cada música que cantava e isso a tornou especial.

Nascida em 07 de abril de 1915 em Baltimore, nos Estados Unidos, como Eleanora Fagan, era filha de um casal muito jovem (seu pai tinha 18 anos e sua mãe 14 quando ela nasceu). Abandonada pelo pai, Billie viveu diversas agruras na infância, como ter sido violentada por um vizinho aos 10 anos de idade e, por causa disso, ter sido mandada para um instituto correcional. Aos 14, ela e a mãe mudaram-se para Nova York, onde para conseguir dinheiro a garota caiu na prostituição.

Adotando o nome de Billie Holiday (Billie em homenagem à atriz Billie Dove, que admirava, e Holiday, que era o sobrenome do pai) e inspirada por discos de Bessie Smith e Louis Armstrong, começou a cantar em bares do bairro do Harlem a partir de 1930. Reza a lenda que em uma de suas primeiras aparições, cantando Travellin¿ Alone, fez a plateia de um boteco ir às lágrimas. Pulando de bar em bar por três anos, acabou sendo descoberta pelo caçador de talentos John Hammond que a colocou para cantar na famosíssima e consagrada orquestra de Benny Goodman. Foi nela que fez sua estreia nos estúdios gravando duas musicas: Your Mother's Son-In-Law e Riffin' the Scotch. A partir de 1935, Holiday passou a ter uma parceria bem-sucedida com o pianista Teddy Wilson e em pouco tempo já se apresentava como artista principal.

Quando Wilson assinou um contrato com a Brunswick Records, onde deveriam transformar músicas populares em grandes swings, os dois se viram com a oportunidade e liberdade de desenvolver seus próprios estilos e o método de Holiday de adaptar a melodia à emoção é considerado hoje revolucionário. Além disso, já nessa época ela escrevia suas próprias canções e clássicos, como Billie's Blues, Tell Me More (And Then Some) e Long Gone Blues, que entraram para o cancioneiro jazzístico americano.

Entre os músicos que a acompanhavam na época estava o saxofonista Lester Young, amigo de longa data, que a apelidou de Lady Day. Também nesse período, Holiday gravou algumas canções com as orquestras de Count Basie e Artie Shaw. Depois de passar pela Columbia Records e pela Comodore Records (onde gravou Strange Fruit, uma música contundente sobre linchamento de negros), Holiday acabou em 1944 na Decca Records. Lá emplacou um de seus maiores sucessos, Lover Man, uma balada escrita especialmente para ela, sobre uma mulher que nunca conheceu o amor. Entre os grandes clássicos da fase Decca está também Don´t Explain, de sua autoria, escrita depois que pegou seu marido, Jimmy Monroe, com marcas de batom na camisa.

Em 1947, Lady Day apareceu no filme New Orleans ao lado de Louis Armstrong num papel que odiou fazer: o de empregada doméstica. Em maio daquele ano, foi presa por porte de narcóticos e condenada à prisão, onde permaneceu até março de 1948, quando foi libertada por bom comportamento. Após sair da cadeia, fez um concerto no Carnegie Hall, infelizmente não gravado, onde deslumbrou a plateia com sua interpretação de Night and Day, de Cole Porter. O show foi um tremendo sucesso com toda bilheteria vendida.

Em janeiro de 1949, mais uma vez Holiday foi presa sob a acusação de posse de drogas. Ela contou anos depois que começou a usar entorpecentes no começo da década de 40, quando mesmo casada, se envolveu com o traficante e músico Joe Guy. Mesmo após se divorciar do marido e terminar seu relacionamento com Guy, Holiday continuou a levar uma vida repleta de drogas e álcool e a manter relações com homens abusivos. Obviamente, essa vida desregrada acabou por prejudicar sua saúde e consequentemente sua voz privilegiada.

Em março de 1952, casou-se com um membro da máfia, Louis McKay, que apesar de violento e agressivo, procurou curá-la de seu vício. Nessa época, Holiday passou a para o selo Verve Records, onde gravou mais de 100 músicas (entre elas My Man e Fine and Mellow), que acabaram por consistir no repertório mais conhecido da artista. Em 1954, fez uma turnê pela Europa e em 1956 se apresentou mais uma vez, por duas noites, no Carnegie Hall, desta vez com registro de todo o show. Também em 1956 foi lançada sua autobiografia, Lady Sings The Blues, escrita com William Dufty, que desejava que o mundo conhecesse a triste história da cantora através de sua própria versão, e não pela versão da imprensa.

Suas últimas gravações foram feitas em 1959 para a MGM Music, com a orquestra de Ray Ellis acompanhando. Em 31 de maio de 1959, foi levada às pressas para o Metropolitan Hospital de Nova York com graves problemas no fígado e no coração. Ao mesmo tempo, a polícia tinha um mandato de prisão contra ela por, mais uma vez, posse de drogas. Em 17 de julho de 1959, Billie Holiday, a Lady Day, faleceu em decorrência de uma cirrose. Seu vício e ritmo de vida frenéticos haviam consumido também seu patrimônio. Ela morreu com US$ 0,70 na conta bancária e US$ 750 no bolso.

Sua biografia virou filme em 1972 com Diana Ross no papel. Em 1987, recebeu um Grammy Póstumo pelo seu legado. Virou selo postal em 1994 e, por incrível que pareça, ficou em sexto lugar no ranking promovido pelo canal de TV VH1 nas 100 Mulheres Mais Importantes do Rock´n´Roll. Entre as muitas homenagens que recebeu, destaca-se ser a inspiração para a música Angel of Harlem, dos irlandeses do U2.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Há 70 anos, Frank Sinatra gravava sua primeira canção.


Há 70 anos, Frank Sinatra gravava sua primeira canção.
Por Claudio R S Pucci, do Terra Música:

"Do fundo do meu coração, eu te amo. O que mais posso dizer? Do fundo do meu coração, eu preciso de você, você faz parte do meu dia". Em 13 de julho de 1939, um rapaz de 24 anos, esquálido e feio, vindo de Nova Jersey, cantava essas palavras em um estúdio acompanhado da orquestra de Harry James. O maestro havia contratado o jovem por US$ 75 por semana para acompanhar sua banda e nunca poderia imaginar que ele seria o maior nome da música americana em pouco tempo. Seu nome era Francis Albert Sinatra.

Nascido em Hoboken em dezembro de 1915, filho único de imigrantes italianos, Sinatra nunca terminou o colegial devido a seu temperamento rebelde, muito influenciado pela mãe, figura não só influente na vizinhança, como também dona de um negócio ilegal de aborto. A depressão econômica obrigou o jovem Francis a trabalhar cedo e depois de empregos como entregador de jornais e rebitador de barcos, ele passou a cantar em público, primeiramente como parte de um grupo de quatro cantores, o Hoboken Four, e depois vencendo um concurso de rádio com mais de 40.000 votos. Até ser descoberto pelas big bands.

Essa primeira gravação de 1939, From The Bottom of My Heart, vendeu apenas 8.000 cópias (o que a torna peça de colecionador hoje em dia), mas o cantor e o maestro fizeram mais dez músicas juntos, até Sinatra receber uma proposta do então famoso bandleader Tommy Dorsey. Apesar de estar atrelado a um contrato com Harry James, este último viu que a oportunidade que aparecia seria única na vida do cantor e o liberou de suas obrigações contratuais.

Com Dorsey as relações foram bem mais complicadas e o músico mantinha um contrato com Sinatra garantindo metade de todos os lucros que o cantor conseguisse em toda a sua carreira. Segundo a lenda mais famosa, Sinatra só conseguiu o cancelamento do acordo quando chorou suas mágoas para alguns mafiosos influentes e estes fizeram uma proposta a Dorsey que ele não poderia recusar: ou revogava o contrato ou morria (e essa história foi usada anos depois em O Poderoso Chefão, de Mario Puzzo).

Depois disso, o "Velho Olhos Azuis" se tornou dono de seu próprio nariz, virou o maior cantor romântico do mundo, foi para as telas do cinema, chorou o desprezo de Ava Garner, flertou com os Kennedy e acabou virando uma lenda que persiste até hoje. Do seu início de carreira, Sinatra manteve uma amizade por toda a vida com Harry James. O maestro foi tão importante para ele que chegou a declarar em uma entrevista de 1983 que James foi aquele que tornou tudo possível. Os milhões de fãs no mundo inteiro também agradecem.

Trilha: Frank Sinatra - The Lady is a tramp